white volvo semi truck on side of road

As lutas e tabus do caminhoneiro

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Você já ouviu que a vida de motorista caminhão é fácil? Tenho que certeza que nunca e essa é a mais pura verdade. O dia a dia puxado, com altos riscos nas rodovias e a nossa luta por melhores condições de trabalho é constante. Não paramos nunca, afinal é o motorista de caminhão que move o transporte de mercadorias do nosso país. Hoje vou lhe contar um pouco das nossas lutas e tabus do caminhoneiro.

O Brasil é imenso em território e os fretes, em sua maioria, são bastante extensos em quilometragem. Os prazos de entrega são curtos e dirigir por mais de 8h/dia é comum. Como vocês sabem, nós somos exigidos no nosso limite. Trabalhar duro é sobrenome do caminhoneiro.

Rodovia com trânsito carregado de caminhões

Regulamentação da jornada do motorista profissional

Essa rotina já foi mais dura, mas em 2015 conseguimos a aprovação da Lei nº 13.103, sancionada pela então presidente Dilma Roussef. Como resultado, veio a regulamentação da jornada de trabalho do motorista profissional. A partir de então, o nosso dia limitou-se em 12 horas de volante. Dessas 12h, 8 são consideradas como hora regular de trabalho porque as 4h excedentes são calculadas como hora extra.

Para destrincharmos um pouco mais o conteúdo dessa lei, vou mostrar alguns pontos relevantes para você enxergar como é o dia de um motorista de caminhão. Temos o seguinte cenário no que se refere à jornada de trabalho:
Bem, já lhe contei que nosso tempo ao volante é de 8h e o máximo de horas extras é de 4h, porque o máximo são 12h. Dentro desse período, nós temos um intervalo de 60 minutos para almoço e o espaço de descanso entre uma jornada e outra é de 11 horas, sendo, no mínimo, 8h ininterruptas.

A jornada do caminhoneiro

Como disse acima, nossa luta por melhores condições de trabalho é constante. Você certamente se lembrará da histórica paralisação nacional que fizemos no primeiro semestre de 2018. Foi um movimento muito importante para a história do nosso país verde e amarelo, mais ainda para a nossa classe. Por isso que ele ganhou até nome: Crise do Diesel. Na oportunidade, os caminhoneiros autônomos fizeram uma greve de extensão nacional para reivindicar uma redução no preço do diesel. Inegavelmente os impactos da paralisação foram enormes e, no fim, a vitória veio. Assim, o preço do diesel reduziu e outras reivindicações foram atendidas. Saindo um pouco das lutas, vou falar agora de alguns tabus.

Os tabus dentro da boleia

A essa altura você já tomou nota do tamanho da importância do transporte rodoviário para a economia girar. Embora o avanço legislativo seja notório nesse caso apresentado, ainda se tem muito o que fazer e reivindicar pelo progresso da categoria.

Dirigir 12 horas por dia nas condições atuais das rodovias não é nada fácil, meu camarada. Ademais, ainda existe uma série de tabus para serem derrubados entre os próprios operadores do volante. Bom, imagino que quando digo a palavra “caminhoneiro”, uma figura venha à sua cabeça. Isso é normal, afinal é exatamente do jeito que você pensou que nós somos retratados nos filmes, novelas e etc. STodo mundo aqui assistiu Carga Pesada na Rede Globo, certo? E o programa dominical Siga bem, caminhoneiro? Por analogia, são bons exemplos.

É justamente nisso que quero entrar. Tratar de questões como saúde e sexualidade ainda é um tabu no nosso meio. Nos próximos posts eu vou tentar abordar alguns desses assuntos e dar a minha visão de maneira geral. O primeiro será sobre saúde.

E aí, conheceu um pouco das lutas e dos tabus do caminhoneiro? Fique ligado no próximo post e embarque nessa comigo!

Geraldo Souza

Meu nome é Geraldo Souza e sou caminhoneiro há mais de 30 anos. Por isso, aos 58 anos de vida, decidi contar nesse blog as minhas experiências vividas em milhares de quilômetros percorridos Brasil afora.

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